EU E O MEU PERFECCIONISMO
Atualizado: 12 de jun. de 2025

Às vezes, reconheço que sofro de TOC. Só às vezes. Mas sofro, sim.
Esse meu perfeccionismo... Sempre querendo refazer para melhorar, corrigir para que não restem erros, explicar e reexplicar para que não fiquem dúvidas.
Me culpo por isso? Não
Me puno por ser assim? Não. Não e não.
Mas admito: meu TOC, meu perfeccionismo, às vezes mais atrapalha do que ajuda — especialmente nos dias de hoje. E uma das maiores vítimas da minha compulsão tem sido, permanentemente, a Metodologia DOMP.
Por que escrevo sobre isso agora?
Porque a DOMP foi criada por mim com um objetivo muito claro: documentar processos nos mínimos detalhes, permitindo análises finas de todos os elementos que os compõem. E, modéstia à parte, consegui isso.
Salvo o meu compreensível desconhecimento — e minha burrice natural, por que não? — não conheço outra metodologia no mundo que tenha esticado tanto o conceito de detalhamento quanto a DOMP.
Se alguém conhecer, ficarei muito feliz em receber referências.
Por que tanto detalhe?
Porque cada processo é um universo. E cada vez que estudo mais, pesquiso mais, participo de projetos reais com clientes, descubro nuances novas. O conhecimento em processos é infinito — e a documentação precisa acompanhar essa complexidade.
Quer um exemplo?
Basta olhar o Formulário de Identificação de Processo, dividido em três partes:
Parte 1: Elementos fundamentais.

Parte 2: Atores, eventos e produtos.

Parte 3: Interfaces, riscos e melhorias

São muitos dados, é verdade — mas esses dados se transformam em informações poderosas. (Aliás, para quem esqueceu: dado vira informação quando é processado com propósito.)
Nem todo mundo, muito menos empresas, estão preparadas para isso
Em muitos projetos, especialmente na primeira vez que uma empresa se depara com a DOMP, os dados não aparecem todos de imediato. Mas os elementos estão sempre lá — em todo e qualquer processo.
Esse trabalho de documentação é exaustivo, sim. E, justamente por isso, algumas empresas preferem desistir, optando apenas por fluxogramar seus processos. Nenhuma norma exige, de forma peremptória, o uso de uma metodologia completa para certificação, então... muitas preferem o caminho mais simples.
Um caso real (e triste)
Certa vez, uma empresa nos contratou para um projeto de dois anos: documentar, analisar, melhorar (onde possível) e implantar todos os seus processos.Durou um ano. E foi cancelado.
A justificativa?
“É muita informação. Não temos maturidade para lidar com esse volume de dados.”
Lembrei de um rodízio. A pessoa entra achando que vai comer até explodir. Mas, depois do primeiro prato, já não aguenta mais.
No fim, decidiram documentar apenas os fluxos. E tudo bem. Cada um tem seu tempo.
Agora, o outro lado da moeda
Por outro lado, há empresas que enxergam o valor da profundidade. Como a Petrobras. Como o ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico).
Essas organizações escolheram a DOMP justamente pelo nível de detalhamento que oferecemos.
No caso do ONS, o diretor de TI disse, ao ver a documentação completa dos processos da área:
“Que maravilha. Precisamos aproveitar esse trabalho ao máximo. Olha a quantidade de dados e informações de qualidade que temos agora!”
Esse tipo de feedback seria suficiente para muita gente. Bastaria.
Mas para mim… não.
Porque, pra mim, nunca está bom.
Lembra que eu disse que tenho TOC? Então. Nada está tão perfeito que não possa ser melhorado.
Imagine uma metodologia com mais de 200 templates (ou formulários, se preferir), organizados em quatro dimensões.
A DOMP é um projeto de quase 40 anos. O trabalho de uma vida. E ainda não está pronto. Sempre tem algo a melhorar.
E agora vem aí a DOMP 4.0, com automação total dos formulários. Talvez algo inspirado no Bizagi.
Prepare-se para as novidades.
Mas atenção: a DOMP tem dono
A Metodologia DOMP é propriedade intelectual registrada. Pode ser usada? Sim, desde que alguns requisitos sejam respeitados:
Licença expressa de utilização.
Proibição de modificações nos formulários.
Proibição de suprimir as referências ao Prof. Tadeu Cruz e à própria Metodologia DOMP.
A violação dos direitos autorais é crime, conforme:
Art. 17 da Lei 5.988/1973
Art. 7º, 22 e 29 da Lei nº 9.610/1998
Art. 927 do Código Civil
Para concluir…
O perfeccionismo pode ser um fardo. E o TOC, um desafio. Mas também pode ser a força que sustenta uma obra de décadas.
A DOMP não é perfeita. Mas, por isso mesmo, está sempre em evolução.
Porque, no fundo, o que move esse trabalho todo não é apenas uma metodologia. É uma busca constante por excelência.
E se isso é doença… então que seja uma que cure o caos dos processos organizacionais.



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