O que leva uma empresa a praticar atos antiéticos?

Há algum tempo postei uma pesquisa com a seguinte pergunta:
O que leva uma empresa que se diz “Ética” a praticar atos antiéticos?
A pesquisa gerou o seguinte resultado:

Um dos motivos da pesquisa é que estou escrevendo um novo livro, a convite de uma editora, Atlas, cujo título, provisório, é:
COMPLIANCE,
Metodologia para implantar e gerenciar o dia a dia de uma organização ética.
O livro, que evitará a mesmice dos que já estão por aí, abordará Compliance de forma prática, eu não perderia tempo em escrever o que já escreveram. Também não terá a coparticipação de nenhuma IA e nem de ghost writers, coisas que nunca precisei usar. Irá focar em cultura organizacional, cuidados necessários para a implantação, metodologia para implantar e gerenciar o dia a dia dos processos de compliance, incluindo a criação e o gerenciamento de mapas de riscos. O papel do CCO, Chief Compliance Officer, também será abordado por mim.
Por isso fiz a postagem buscando conhecer a opinião dos meus contatos no LinkedIn e no Instagram com a seguinte pergunta:
Empresas éticas, ou seja, aquelas que se comprometem publicamente com valores morais e responsabilidade social, aquelas que apregoam ser éticas e até possuírem selo atestando a moral e os bons costumes, podem acabar cometendo atos antiéticos? Se sim, por quais razões?
Qual delas você acha mais relevante?
1. Pressão por resultados.
2. Dissonância entre discurso e prática.
3. Falhas humanas.
4. Complexidade das operações modernas.
5. Pressão dos clientes por prazos e custos.
6. Todas as opções.
O tema sobre a falta de ética insere-se em um contexto mais amplo, o Compliance.
Como eu já sabia, por conta da experiencia na implantação de Compliance em diversas empresas, muitos falam de compliance, mas poucos sabem qual deve ser sua abrangência e menos ainda como implantar e gerir um ambiente ético.
Vários fatores podem levar uma empresa que se diz "ética" a praticar atos antiéticos, mesmo que isso pareça contraditório.
Aqui estão algumas razões possíveis:
1. Pressão por Resultados Financeiros. A busca por lucratividade e o cumprimento de metas agressivas podem levar a decisões que priorizam o ganho financeiro em detrimento de valores éticos.
2. Falta de Alinhamento entre Cultura e Prática. Uma empresa pode ter um discurso ético, mas sua cultura interna pode não refletir esses valores. Se a liderança não age de forma coerente com o que prega, os colaboradores podem se ver desobrigados de seguirem práticas éticas.
3. Hipocrisia Deliberada. Algumas empresas adotam o rótulo "ético" como estratégia de marketing (o chamado greenwashing ou ethics-washing), sem real compromisso com os princípios. É uma fachada para atrair clientes, outras empresas ou consumidores finais, ou investidores que valorizam a responsabilidade social. Às vezes, a empresa pode usar o discurso ético como uma estratégia de marketing, sem realmente internalizar esses valores em suas operações.
4. Falhas na Governança Corporativa. A ausência de mecanismos eficazes de fiscalização, transparência e prestação de contas pode permitir que comportamentos antiéticos ocorram sem serem detectados ou punidos.
5. Normalização de Comportamentos Antiéticos. Se práticas antiéticas forem toleradas ou até incentivadas informalmente dentro da organização, elas podem se tornar parte da rotina, mesmo que a empresa se apresente como ética externamente.
6. Ambiguidade em Regras e Políticas. Se as políticas éticas da empresa não forem claras ou específicas, pode haver espaço para interpretações que justifiquem ações antiéticas.
Para evitar essas situações, é essencial que a empresa não apenas promova valores éticos, mas também os integre em sua cultura, processos de negócio e tomada de decisões, com mecanismos claros de fiscalização e responsabilização.
Um exemplo prático: uma empresa de moda que se diz ética por usar materiais sustentáveis pode, ao mesmo tempo, explorar mão de obra em condições precárias em outro país. A contradição surge porque o discurso é mais fácil de vender do que a prática é de implementar.
Há, também, um outro ponto que quero ressaltar, embora não possa ser usado como justificativa, ou desculpa, para que ações antiéticas sejam praticadas.
A cópia, roubo, de propriedade intelectual, seja de pessoa física, seja de pessoa jurídica, ou de alguma IA, por desconhecimento ou ignorância.
Coisas como:
- Ah, eu não sabia que isto estava protegido pela lei de propriedade intelectual.
- Ah, eu não sabia que isso é crime.
Seria o mesmo que dizer: ah, senhor juiz, eu não sabia que é crime matar alguém.
Violação de Propriedade Intelectual é crime.
“Flagrante de cópia de propriedade intelectual ocorre quando alguém se apropria indevidamente de uma criação, marca ou invenção protegida, realizando uma cópia não autorizada ou apropriação indevida desse bem intangível. A violação de propriedade intelectual refere-se ao uso não autorizado de um ativo protegido pela legislação de propriedade intelectual. Isso pode ocorrer de várias formas, dependendo do tipo de ativo envolvido. A violação pode incluir a reprodução, distribuição, venda ou utilização de uma invenção, obra literária, marca ou design industrial sem a permissão do titular do direito. Além disso, a apropriação indevida de segredos comerciais também é uma forma de violação de propriedade intelectual.”
Fonte: Portal Jusbrasil
Para encerrar, se alguém ainda quiser contribuir com o meu livro, dando opiniões ou sugestões, serão benvindos.




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